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Planejamento de um programa educacional: os objetivos de aprendizagem


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Ao iniciar o planejamento de um programa educacional, você poderá levar em consideração algumas questões que estão refletidas no modelo a seguir. As questões são: objetivos educacionais, contexto, conteúdo, métodos de avaliação e métodos de ensino. Vamos a cada uma delas brevemente:

Objetivos educacionais

O que você gostaria que seus alunos soubessem, pensassem ou sentissem ou fossem capazes de fazer ao terminar um programa ou curso? Use a Taxonomia de Bloom para lhe ajudar nessa tarefa de modo que seus objetivos sejam específicos, atingíveis e mensuráveis. Ching e Silva (2017) conduziram uma pesquisa com docentes e alunos de uma IES e constataram que:

  • Os docentes estavam tendo algumas dificuldades em lecionar o conteúdo e aplicar algumas atividades instrucionais e exercícios.
  • Nem todos os docentes estavam usando métodos de avaliação que balanceassem os três saberes da competência – saber, saber fazer e saber ser (ou, em outros termos, conhecimento, habilidade e atitude) – em vez disso, preferiam avaliações tradicionais como provas.
  • Os alunos não haviam percebido melhoras no desenvolvimento das suas competências.

Eles seguiam afirmando que o constructo baseado na Taxonomia de Bloom é a base para um modelo de educação baseado em competência. De fato, essa taxonomia foca na educação continuada para melhorar habilidades por meio de conhecimento teórico, bem como em tarefas e atividades que possibilitam praticar as aptidões.

Contexto

Existem algumas questões contextuais que poderão afetar a forma como você irá moldar seu curso, tais como: o perfil do ingressante ou do seu público-alvo, pensando nas experiências pessoais ou profissionais e competências cognitivas que ele traz para a sala de aula (se alunos de graduação, de pós-graduação, professores, profissionais do mercado, suas expectativas); dados do curso (curso diurno ou noturno, de final de semana, tamanho da classe etc.); como seu curso se enquadra em seus estudos (é teórico ou prático, algum pré-requisito exigido, é
pré-requisito para algum curso seguinte); e os recursos que ele dispõe (conta com plano de ensino, laboratórios e equipamentos acessíveis).

Conteúdo

Escolher o que cobrir de conteúdo em uma disciplina ou curso é crucial para seu sucesso. Algumas pessoas preferem olhar o curso ou disciplina das instituições concorrentes e ver o que está sendo ministrado. Outros preferem reunir um grupo de docentes da própria instituição ou seu Núcleo Docente Estruturante (NDE) e, após análise do ambiente em que o curso ou disciplina se insere, decidem o melhor conteúdo. Já há aqueles que preferem ouvir dos alunos ou de profissionais de mercado, mediante focus group, suas sugestões de conteúdo.

O certo é que não há uma maneira correta de decidir sobre o conteúdo da disciplina ou do curso. Você pode levar em consideração algumas questões que lhe ajudarão a estreitar suas escolhas.

Com quais recursos, como leituras, livros, artigos acadêmicos, base de dados, pesquisas on-line, o professor dispõe para elaborar e trabalhar o conteúdo com seus alunos?

Existem restrições legais que devem ser atendidas, como as Diretrizes Curriculares do Curso ou os Instrumentos de Avaliação do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES)?

Elaborar um plano aula a aula pode ser bem interessante para que você tenha um bom planejamento das suas aulas, e assim verificar se o conteúdo proposto pode ser coberto?

O que essas pessoas – alunos, profissionais do mercado, docentes – podem lhe dar de insight imparcial para construção do conteúdo? Quem garante que elas não tenham seus próprios vieses ou preferências ou estejam antenadas com o que ocorre no mercado e consigam trazer para o curso ou disciplina em questão? Seguramente, todas elas têm muito a contribuir e extrair o melhor delas é a missão quase impossível.

Avaliação

A chave é escolher métodos ou estratégias que lhe permitam avaliar se os alunos conseguiram atingir os objetivos de aprendizagem estabelecidos inicialmente. Alguns questionamentos podem ser feitos e que lhe auxiliam nessa tarefa:

Que métodos escolher que me auxiliem a criar um ambiente de aprendizagem na sala de aula? Por exemplo, se for escolher estudo de caso, o ideal é preparar os alunos com antecedência sobre o caso a ser discutido em sala, sua leitura prévia e fazer o layout da sala de aula em forma circular com o instrutor localizado no meio.

  • Como limito a possibilidade de plágio ou cola dos trabalhos dos alunos?
  • A carga de trabalho parece razoável e sustentável tanto para os alunos quanto para mim?
  • O que posso aprender a respeito da aprendizagem dos meus alunos a partir dos resultados das avaliações?

Métodos de ensino

Cada método de ensino tem suas vantagens e desvantagens e deve dar suporte aos seus objetivos de aprendizagem e ajudar os alunos a realizar as atividades propostas. Alguns questionamentos podem auxiliá-lo nessa tarefa:

  • Estou familiarizado e confortável com o uso de quais métodos? E quanto aos alunos? Há métodos potencialmente mais “fáceis” para o professor, que não são necessariamente os mais adequados para o aprendizado da turma em questão.
  • Dado o ambiente que quero criar em sala de aula, qual o método que mais bem possibilita isso?
  • Que materiais ou recursos tenho disponíveis para suplementar minhas aulas?
  • Quais métodos são mais apropriados e estão alinhados com os métodos de avaliação?
  • Que métodos escolher que me auxiliem a criar um ambiente na sala de aula? Por exemplo, se for escolher estudo de caso, o ideal é preparar os alunos com antecedência sobre o caso a ser discutido em sala, sua leitura prévia e fazer o layout da sala de aula em forma circular com o instrutor localizado no meio.
  • Que peso irei atribuir a cada um dos meus métodos?

 

Por fim, outros aspectos também devem ser considerados:

  • A duração do programa ou do curso – curta duração ou de longa duração quebrado em carga semestral.
  • Estudar as principais referências teóricas que permeiam a área de conhecimento em que o programa está inserido, de modo a estar alinhado com o estado da arte atual.
  • O que haverá de diferente em relação a outros programas concorrentes oferecidos no mercado ou em outras instituições em geral.
  • Definir o perfil do egresso. Quem é essa persona que queremos formar ao final do curso ou do programa, que bagagem queremos que ele leve e suas competências.

O objetivo educacional deve traduzir as competências que o professor pretende desenvolver com o aluno no decorrer do curso ou do programa. Ele é uma declaração explícita do que os alunos devem ser capazes de fazer quando eles completam um segmento de um curso (Felder;Brent 2004). Para Krathwohl (2002), objetivos são usualmente enquadrados em termos de (i) algum conteúdo de assunto e (ii) uma descrição do que deve ser feito com ou para aquele conteúdo. Dessa forma, declarações de objetivos tipicamente consistem em um nome – o conteúdo de assunto – e um verbo de ação – o processo cognitivo. O(s) verbo(s) deve(m) se referir a ações observáveis, coisas que o professor possa observar os alunos fazendo.

A competência que você espera que o aluno desenvolva no curso deve estar alinhada com o objetivo educacional. Para tanto, você deve escrever seus objetivos de acordo com os níveis cognitivos esperados. Os processos cognitivos transcorrem dos níveis mais simples aos
mais complexos. A Taxonomia de Bloom utiliza seis dimensões cognitivas, das mais simples (memorizar e entender) às mais complexas (avaliar e criar). Veja a Figura a seguir.

Os objetivos de aprendizagem podem ser detalhados em um ou mais objetivos específicos que descrevem atributos mensuráveis do objetivo maior e explicitam o que o aluno deve estar apto a fazer ao término do curso ou programa.

Finalmente, quando o professor estiver escrevendo os objetivos de aprendizagem, tanto os gerais quanto os específicos, ele deve considerar as categorias de verbo no infinitivo relacionadas a cada nível cognitivo da taxonomia. Ele pode se apoiar na lista do quadro a seguir.

Fonte: GEN.N&G

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